Tristeza e Alegria
A tristeza pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.
No dia do Senhor, não haverá mais tristeza.
Embora nesse mundo ela deva existir, pois faz parte do jogo da vida.
Entristeça-me, depois me alegre. Alegre-me, depois me entristeça. Faça isso muitas vezes, então alguém que seja um pouco perceptivo logo entenderá: não existe permanência.
A minha alegria, aquela que eu tanto queria para sempre, também morre. A tristeza, aquela que parecia me aborrecer eternamente, também se vai. Então fica algo, um resquício tanta da alegria, assim como da tristeza. O que aprendemos.
Na minha tristeza eu aprendi a chorar com os que choram, na minha alegria sorrir com os que se alegram. Embora, tantas vezes eu tenha visto um choro mais amargo do que o meu, ninguém poderia substituir o meu próprio choro. O meu sorriso também, tantas pessoas alcançaram alegrias, mas quando eu me alegro, até por simples coisas, isso é insubstituível.
A tristeza passa e deixa um recado. Eu o anoto. A alegria depois vem e deixa outro recado. Eu também o anoto. Eu jamais poderia dizer para tristeza: "Vai-te logo, pois espero a alegria". Não, o recado ficaria incompleto. Da mesma forma eu não posso reter a alegria, "fica comigo para sempre, pois teus recados me são doces". Não, a alegria não sabe falar a mesma coisa repetidas vezes.
A tristeza vem como o professor que limpa o quadro negro. Nada está lá, apenas escuridão. Então, vem o professor e começa a escrever no meio das trevas. Então aprendemos. Depois, quando não existe mais espaço para escrever mais, ele apaga o quadro inteiro, para iniciar uma nova lição. Tudo se torna trevas novamente.
Aonde o professor escreveria os seus ensinos, caso não existisse um quadro-negro?
O recado da tristeza é o "nada sei". O recado da alegria é "algo existe".
Quando a compreensão do "algo existe" deixar de ser efêmera, ou seja, não mais vulgarizada nas mesmas repetições, então o "nada sei" será transformado em onisciência, em imagem e semelhança de Deus.


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